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Tarcísio defende investigações contra Alexandre de Moraes do STF e Flávio Bolsonaro no caso "Dark Horse": "Tudo que está oculto tem que ficar às claras"

Tarcísio defende investigações contra Alexandre de Moraes do STF e Flávio Bolsonaro O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quarta-feira (2) que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele também defendeu as investigações contra o seu aliado Flávio Bolsonaro (PL), no que diz respeito aos repasses feitos por Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu principal padrinho político. “Eu sou favorável a toda transparência, toda quebra de pulgação. A gente só vai retomar a confiança nas instituições a partido do momento que você tiver transparência, investigação profunda e responsabilização. Tudo que está oculto tem que ficar às claras. Nada fica escondido por muito tempo. E é bom que tudo apareça e todos os esclarecimentos sejam dados e todas as investigações sejam feitas. E que as responsabilizações aconteçam”, disse o governador. 1 de 2 O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante visita a obras do Metrô nesta terça-feira (2). — Foto: Reprodução/TV Globo “Nós temos a suspeição da corte máxima do país e isso é muito grave. Como é que o cidadão vai reagir? A gente percebe um sentimento de indignação. Tá na hora da indignação se reconciliar com a esperança. E a confiança nas instituições. Imagina se você não puder confiar no Judiciário, na Corte máxima do país? Você tem uma fissura na sociedade e no Estado Democrático de Direito que é inaceitável”, afirmou. Novas denúncias contra Flávio Bolsonaro Mensagens mostram que Vorcaro recorria a Moraes Conforme o g1 publicou nesta terça-feira (1), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato a presidente, cobrar parcelas que estavam atrasadas. Ele se soma a outros seis repasses — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão —, realizados até maio de 2025, que já haviam sido noticiados em maio deste ano pelo site The Intercept Brasil, totalizando R$ 61 milhões. "Com esse novo pagamento, que até agora era desconhecido, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares — o que, na cotação da época, equivalia a mais de 65 milhões de reais", afirma a "piauí". 2 de 2 Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro — Foto: Adriano Machado/Reuters e Reprodução Flávio vinha afirmando que o último repasse feito por Vorcaro havia sido em maio de 2025, informação agora contrariada pela PF. "Olha só. O último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025", disse o senador em entrevista à GloboNews quando o caso foi revelado. Segundo as apurações, os repasses de Vorcaro para o filme foram feitos por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, de um aliado do ex-banqueiro. A Entre transferia o dinheiro para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O fundo repassaria o dinheiro para a produtora, a empresa Go Up. Em maio deste ano, quando a relação entre Flávio e Vorcaro veio a público, o Intercept pulgou um áudio em que o senador pedia o dinheiro para o ex-banqueiro. "Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. [...] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?", disse Flávio. Valor pode ser maior Ainda segundo a "piauí", o valor repassado por Vorcaro para o filme Dark Horse pode ser maior. A revista teve acesso a um trecho inédito de uma troca de mensagens entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que atuou na captação de recursos para o filme. Em mensagem ao banqueiro, em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou: “Consegue liberar as parcelas do filme?”. Vorcaro respondeu: "Sim. Liberei mais uma hoje". Miranda, então, disse: "Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb [também]". A PF diz que não constam outros repasses no informativo financeiro do Coaf. Entrentanto, isso não afasta a possibilidade da transferência ter sido feita nessa data, 22 de outubro, e não ter sido informada ao órgão de fiscalização. "Se esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele vai para 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais", afirma a "piauí". Ao chegar ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi questionado pelos jornalistas sobre o novo repasse revelado pela piauí. O senador disse que o assunto deveria ser tratado com a produtora do filme. Investigações O financiamento do filme de Bolsonaro é investigado em dois inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro — em que circunstâncias foram feitos, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme. O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up usou emendas parlamentares para bancar a produção. Há ainda uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, que apura um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido integralmente e existem suspeitas de que parte dos valores foi desviada.
02/09/2026 (00:00)
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